Denúncia Coimbrã


Quem?
Maio 5, 2008, 6:38 pm
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Largo da Sé Velha.


13 Comentários até agora
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Uma paixão de usar e deitar fora
Paremos uns segundos a olhar esta foto. Em seguida, mentalmente, peguemos no Diário de Coimbra, de hoje, e leiamos o título deste jornal: “Namorado suspeito da morte de Patrícia –jovem de Sandelgas carbonizada dentro de um Mini Cooper.”
Nunca, como hoje, a paixão foi tão livremente publicitada. Comparando com tempos passados, verificamos que a “passione”, nos nossos dias, acompanha as tendências de mercado. Acabaram as tragédias shakspereanas de Romeu e Julieta, de Pedro e Inês, pelo menos, num final em que impera o ciúme e o sentimento de posse, paradigmatizado no pensamento “se não és minha não serás de mais ninguém. Hoje mata-se a consorte apenas e só para pôr fim a um a relação tempestuosa, onde já não há desejo, como vulgarmente se diz, já não “dá pica”. O amor, enquanto sentimento profundo de virtude, tornou-se numa coisa vazia e sem valor. Entrou-se no “fast-food” existencial do querer: se eu desejo, logo vivo, logo devo ter. Como a vida é curta, todos querem viver ao máximo este apetecer embrutecido e animalesco, gozando os prazeres da carne, sem entrar na alma do outro. Ou seja, contrariamente a outros tempos, quando o clique se dá, não é para começar uma relação, é para acordar e tomar consciência de que aquela “estória” acabou muito antes de ter começado. Foi apenas um ansiado desejo no momento da conquista, para, passado pouco tempo, esmorecer rapidamente. O amor de hoje mais não é do que um “usar e deitar fora”. O amor de hoje não é mais um “fogo que arde sem se ver”, como escrevia Camões no século XVI. O afecto amoroso de hoje é uma chama que arde, como vela que fenece, e se apaga com tempo determinado previamente. É como se o amor não passasse de uma picada ténue de um besouro chamado Cupido. É como se todos à partida soubéssemos que a história amorosa que se inicia tem início fulgurante, tem um pico máximo, tem decadência e epílogo final com morte anunciada. É um livro ou um filme em que se é parte do elenco. Umas vezes é um drama com rompimento de comum acordo, outras vezes, como no caso deste namorado que, presumivelmente, incendiou a namorada, com requintes de malvadez e desrespeito pela vida do outro. Então, como em tudo, para provocar o conflito interno, a catarse, a introspecção, naturalmente, interroga-se de quem é a culpa? E quem sabe responder? Se tudo é efémero, evidentemente que as relações não podem fugir ao modelo de vida dos nossos dias. O progressismo social, abrangendo o comercial e o político, que vivemos é um caterpillar que, sem dó nem piedade, enterra o ontem em obsessão. É uma espécie de “serial Killer” que mata apenas pelo prazer sádico de exterminar. Como se estivesse programado para “deletar”, para apagar tudo o que nos possa servir de referência e nos ajude a pensar. É como se, ao fazê-lo, ajustasse contas com um passado que lhe foi adverso e concorreu para a sua infelicidade. Por isso enterra tudo, as memórias dum passado que detesta. Este modernismo não gosta de tertúlias, não gosta da convivência humana. Cultiva o individualismo feroz e o ódio a tudo o que leve à projecção da história. Divide para reinar. É mais fácil convencer, enquanto ser individualizado, do que sendo um colectivo forte e hermético.
Voltando ao casamento, enquanto união de dois entes, ora, a ser assim, seguindo o simplex do governo em relação à denúncia unilateral do divórcio, ainda que no limite do ridículo, começa a fazer sentido alterar o conceito cultural, religioso e civil de casamento. Este não é mais um negócio jurídico para a vida. A ser assim, faz sentido contratualizar, a prazo, o matrimónio. Na cerimónia católica, os noivos, em vez de soletrar: “eu, recebo-te, por minha esposa, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida”, inevitavelmente, nesta última frase, em vez de “todos os dias da nossa vida, passará a pronunciar-se “durante os, um ano, três, cinco anos da nossa vida em comum”.
LUIS FERNANDES
(COIMBRA)
(www.questoesnacionais.blogspot.com)

Comentário por Luis Fernandes Maio 6, 2008 @ 1:43 pm

Foi dos momentos mais belos que tive em Coimbra!
Assisti ao momento em que a faixa caiu e ao ar surpreso dos milhares que aí se encontravam. Para mim é completamente desajustado o comentário antes do meu. Pior! Este comentario apenas destroi o conceito genuino e belo do amor! Meu caro se não quer ser feliz, por favor deixe ser as pessoas que querem!
É verdade em parte o que diz mas escolheu o pior exemplo (esta bela faixa) pois conheço o autor desta obra e ele faz parte daqueles que acreditam no amor e está longe, muito longe, do conceito usar e largar que o senhor de uma forma ignorante usou!
O mundo precisa de amor não de pessimismos de pessoas frustradas de meia idade!
Tenho dito!

Comentário por Luis Rodrigues Maio 6, 2008 @ 7:06 pm

Começa a ser uma questão simplista.

Paixão, amor, companheirismo e acima de tudo cumplicidade, sensações saborosas e antiquadas. Não convém esquecer mesmo… Subscrevo o comentário do LF, muito realista!

Comentário por LuV Maio 6, 2008 @ 8:59 pm

Renunciar o amor é renunciar a existência humana.

Comentário por denunciacoimbra2 Maio 6, 2008 @ 10:14 pm

Como autor do gesto, e vendo esta inesperada discussão, creio que devo deixar a minha pequena impressão sobre o texto do Sr. Luís Fernandes.

Sim, infelizmente vejo-me forçado a concordar com a espécie de retrato sentimental que traça da nossa sociedade actual. Procurar a felicidade através de atalhos é, para mim, ilógico e contraproducente. E, mais uma vez infelizmente, torna-se uma característica cada vez mais frequente no português de hoje. Os amores esvaem-se após a sua consumação, a conquista dura apenas uma hora – estamos todos com pressa de viver e não percebemos que a construção temperada dos sentimentos é um elemento essencial no fortalecimento do valor que lhes damos, na intensidade da paixão que nos consome a cada trago de ar que sorvemos. Contudo, e não querendo acrescentar mais um ponto à sua bem estruturada crítica (talvez um pouco distante das causas reais justificativas de tal fenómeno, se me permite o reparo), devo deixar aqui bem claro que sempre vi nesta minha iniciativa um meio de fazer uma certa moça feliz e nunca um esperto ardil que lhe turvasse a percepção real dos seus desejos. E passo a explicar porque digo isto.

Para mim amar é dar. E quando estou com alguém que me dá um sorriso, gosto de o devolver da maneira mais inusitada e inesquecível possível. E foi o que fiz. Tentei dar amor. Tentei criar uma lembrança de uma serenata eterna com um gesto que decerto ficará gravado a ouro na memória da pessoa a quem aquelas palavras se dedicam, da pessoa que, no seu todo incidível, motivou cada segundo de trabalho que aquela faixa me deu. E, mais do que o resultado particular que vejo por bem não comentar aqui, creio que consegui um intento que o Sr. não conseguirá jamais ao atrelar pela força um texto pessimista a uma imagem optimista – a de despertar aquela multidão para o facto de hoje, neste século XXI tão pragmático, não devermos deixar de exigir algo mais daqueles que nos querem bem do que só palavras. Vendo as coisas desapaixonadamente, eu poderia dizer que os amantes de hoje são como políticos que ludibriam o seu eleitorado com promessas. Que não cumprem como deveriam. E levam ao descrédito não do “político” mas da “política”, não do amante mas do amor. E é isso que não posso deixar que aconteça!

Por isso, mais do que postar-me futilmente à janela do meu quarto e enviar-lhe uma mensagem, pensei - porque não fazer algo mais?! Porque não dizer-lhe o que sinto envolto num momento mágico?! Porque não fazê-la sentir-se amada, fazê-la ver que existe alguém que se sente inspirado por ela?! Surpreendê-la, dizer bem alto, perante milhares de pessoas, sem que ninguém saiba de quem se trata, que existe quem esteja loucamente apaixonado, que queira dar à sua amada um momento único de felicidade, é, para o meu humilde ver, uma questão não de decadência moral mas sim um grito de autonomia perante um rebanho que já não tem mais nada a esperar dos “políticos do amor”!

Para a próxima vez que vir um gesto que lhe lembre a crítica que faz, não a faça! Digira-a, guarde-a para quando sentir saudades de um momento desses. Porque a melhor crítica no pior momento torna o crítico numa figura condenável, e nós que amamos não queremos condenar ninguém!

Comentário por Nelson F. Coelho Maio 7, 2008 @ 11:09 am

Meu caro Luis Rodrigues respeito a sua opinião. Por isso mesmo deve respeitar a minha. Mas aposto que fez uma leitura transversal ao texto. Se não se importar, leia outra vez. Estou certo de que ficará com outro parecer sobre o assunto. Mas, se não ficar, paciência, cada um fica na sua…meu jovem que não conhece a frustração.
Um abraço dum “cota” frustrado, segundo a sua opinião.

Comentário por Luis Fernandes Maio 7, 2008 @ 12:17 pm

Bom dia meu caro Nelson F. Coelho.
Respondendo ao seu (simpático, ou pelo menos cordial)comentário, vou por partes, dizendo-lhe o seguinte:

1º-Se ler atentamente o meu texto, reparará que não fulanizo uma crítica directa na sua faixa, ou, melhor dizendo, no seu gesto. Que com toda a franqueza até acho lindo. O que você fez, o seu acto, é realizado há muitas décadas;

2ºEu apenas peguei no seu paradigma de amor para me servir de polo comparativo -quando digo “Nunca como hoje a paixão foi tão facilmente publicitada”-, ou seja, como base real, ainda que metafórica, que possa mostrar que apesar desta liberdade de expressão, na prática, o que existe hoje é uma relação passajeira sem projecção para o futuro. É o imediatismo condensado no mediatismo. É o carpe diem. O que quero dizer é que não pretendi criticar o seu gesto, e isso, creio, é perceptível, pelo menos para mim;

3ºEu gosto de escrever -e digo-lhe isto para entender melhor o que vou dizer a seguir- e, como tal, procuro expressar o meu pensamento em textos que façam pensar. Não escrevo por escrever, simplesmente para alimentar este vício. E para conseguir ter profundidade, algumas vezes tenho de ser profundo, incisivo, quase a dissecar psicologicamente uma imagem, como é o caso. Digamos que, nos meus textos, procedo como numa peça de teatro. Pego num personagem, ou imagem, e estilizo-a de modo a torná-la uma caricatura da sociedade (sendo pessoa) ou, se for imagem, procuro que seja um ponto de partida para o pensamento social que procuro alcançar;

4º- Não sei se fui completamente claro, uma coisa lhe posso garantir: não pretendi ridicularizar o seu gesto. Apenas o “usei” como ponto de partida para a minha explanação.
Se se sentiu ofendido, pelo que escrevi, só lhe posso pedir desculpas, nada mais.
Um abraço cordial.
Luis Fernandes

Comentário por Luis Fernandes Maio 8, 2008 @ 10:26 am

Caro Luis Fernandes!
Reli o seu texto uma vez mais, mas, continuo a lamentar a plataforma que escolheu para o fazer o seu comentário.
Poderia ter feito a mesma coisa com um caso daqueles efemeros dos famosos e pessoal jet7 como o provisório que acontece agora com Cristiano Ronaldo… Aí sim! Seria o primeiro a comentar e a apoiar o seu comentário! Teria mais sentido assim do que pegar numa imagem de uma faixa com um texto fortemente sentimental feita por um estudante profundamente demovido pelo verdadeiro amor. No Amor não há receitas para o sucesso, mas acredite em mim que existem bastantes casais que são um óptimo exemplo de amor! Muito das situações menos boas que acontecem sempre aconteceram.. A questão é que agora não se censura tanto e os casos vem ao de cima. Vamos ser equilibrados.
Já agora desculpe algum exagero em minhas palavras mas foi com revolta que me insurgi primeiro. Mas eu e colegas meus estamos prontos para tertulias sobre tudo! É só dispor! Verá que Coimbra ainda forma estudantes de fibra grossa!
Tenho dito

Comentário por Luis Rodrigues Maio 8, 2008 @ 5:31 pm

Magnifica a forma cordial como justifica a linguagem do texto, principalmente porque a dirige a alguém que está apaixonado e sente o amor. Muito cordial mas acima de tudo de uma hombridade plena, Sr. LF.

Estas coisas do amor são lindas, devemos vivê-las intensamente, nós, “os cotas” também sabemos saborear as frustações, são ensinamentos!

Comentário por LuV Maio 8, 2008 @ 9:15 pm

Não posso deixar de dar uma palavrinha ao senhor Luís Fernandes, aqui vai: parece que ninguém gostou do seu pessimismo, da sua visão tão negativa do estado dos nossos afectos. Eu, pela minha parte, achei-o um pouco ingénuo. Diz que o amor é um sentimento profundo de virtude. Queira desculpar-me mas isso é uma visão irreal de profundo cariz católico e romântico. O amor é um sentimento profundo,sim, mas acontece que algumas vezes deixa-nos ver a virtude, noutras deixa-nos ver coisas que não queríamos ver. É demasiado complexo para ter de se ficar pela ideia de “Bem”. O amor pode também ser doentio e perverso, penso eu. Não vamos ficar por visões puristas e idílicas do amor. Todos os sentimentos e acções negativas que vai descrevendo como se fossem exclusivas deste nosso tempo (começa muitas das suas frases por expressões como “Nunca como hoje”), são na ralidade tão antigas como o próprio Homem. Homem esse que por mais que se iluda e progrida nunca deixará de ser animal, e portanto capaz de incendiar carros com meninas lá dentro ou fazer faixas para cativar amores.Ai esse saudosismo! Deixe-me dizer-lhe uma coisa, se há palavra que detesto é tertúlia, não pelo que significa, mas pelo saudosismo bloqueante de quem normalmente a usa. Caso não saiba, há por aí muito boa gente que conversa nos cafés e noutros sítios e que gesticula e se entusiasma(sente-se meia hora num dos cafés da praça se tiver tempo). Voltando ao nosso tema, é no mínimo curioso e até divertido quando o autor da faixa diz “Tentei criar uma lembrança de uma serenata eterna com um gesto que decerto ficará gravado a ouro na memória da pessoa a quem aquelas palavras se dedicam”, e eu penso cá para mim: este moço é um bocadito presunçoso, seria mais justo admitir que esse “gesto louco(LoL)” também ficará gravado a ouro na sua cabeça. O amor é uma coisa egoísta com alguns altruísmos pelo meio.Quantas paredes já foram pintadas no mundo com um “amo-te Rita” ou coisa que o valha. O senhor Fernandes gosta de olhar à sua volta e de pensar o que vê. Os meus parabéns por isso. Mas é preciso alguma cautela com as ideias feitas, e o que diz não revela um pensamento absorvente nem aberto, muito menos original . Dá a entender que o seu juízo de valores é impermeável, que não está disposto a mudanças para o desconhecido(futuro)mas somente para um reconfortante passado. Os nossos padrões morais não têm parado de mudar assim continuarão. Não nos podemos esquecer que os jovens constroem o mundo para nele viverem e é difícil saber agora, neste momento, quais profetas da desgraça, se o estão a fazer melhor ou pior do que aquilo que as anteriores gerações fizeram. Eu acho que os grandes erros começaram muitas gerações atrás…
Não me leve a mal estes reparos, são fruto desta nossa tertúliazinha.
E viva o amor e toda a parafernália de sentimentos que temos a felicidade conseguir ter.

Comentário por Pereira Morgado Maio 9, 2008 @ 4:29 pm

O senhor Luis Fernandes se me permite mais um reparo não nutre grande respeito pelo Amor… Repare:”O amor de hoje mais não é do que um “usar e deitar fora”” e olhe a diferença:”A paixão de hoje mais não é do que um “usar e deitar fora”" é um tanto diferente não?…
Reparei que a sua opinião foi hoje publicada no diário de coimbra na secção voz do leitor… Não sei se lhe hei-de dar os parabéns por mais uns tantos (muitos) irem ler os seus pensamentos e depois com o medo que daí vai resultar vão contribuir para um maior isolamento humano de que falou também…
Falou também em fast-food e disse que os amores são um tanto assim, acho isso uma ofensa aqueles que vivem um amor actualmente e que o vão viver durante muitos anos… que tal apoiar os bons exemplos que acontecem e dar criticas construtivas em vez de apostar numa perspectiva destrutiva do amor “de hoje”. Fale mais em paixão… O amor marca todos os dias a paixão essa sim é muito efémera e é a que descrebiliza o Amor.. Por favor tente fazer essa distinção. O Amor prova o doce e o amargo e vive assim.. A paixão não aguenta com a parte amarga..

Falou na parte religiosa.. Bem eu não quero ser moralista (já agora apenas tenho 20 anos) mas deixe que lhe diga que o matrimónio assim correctamente chamado é um sacramento e não acompanha assim as modas da sociedade. Conhecer o seu significado é respeitá-lo. O matrimónio assim como a ordenação é uma renuncia a si mesmo para com o outro com o objectivo de formar uma nova unidade espiritual. Assim como na ordenação em que o futuro padre se compromete a renunciar a si mesmo para com a Igreja e seus desígnios.
Assim, não pegue em conceitos que pelos vistos desconhece e infelizmente tanta gente desconhece e que contrai o matrimónio sem saber a sua verdadeira dimensão na pessoa humana que o contrai.
Maus exemplos existem em todo o lado senhor Luis Fernandes e de que lado prefere estar? Eu sou o jovem que você referiu como o que não conhce a frustração… mais uma vez a sua parte ignorante a reinar assim como muita gente o faz catalogando logo as pessoas com meia duzia de frases… Já tive frustração no Amor na parte profissional e um pouco noutras áreas e vai dizer isso não é nada jovem? Um dia para calhar bem terei a sua idade mas espero ser mais optimista que o senhor.

Todavia, respeito a sua opinião.

Que tal experimentar dar uma rosa a sua mulher e escrever-lhe um poema daqueles em que ela olhará para si com um brilho nos olhos? O Amor alimenta-se todos os dias! Com gestos, palavras e olhares. Não se compra de uma vez só! Dá trabalho isso sim! É para corajosos, homens e mulheres com vontade de viver enorme!
Apenas lhe digo isto e por favor não se sinta ofendido porque acho que pela maneira como fala não tem experimentado muito o fenómeno amor. De certeza que se estivesse a dar rosas a sua mulher não iria perder tempo em escrever o comentário que escreveu!

Ah! o conceito tertúlia não me mete confusão, ainda existem muitas sem o tom saudosista ou idealista de muitos. Acontecem e ponto final!

Comentário por Luis Rodrigues Maio 9, 2008 @ 10:33 pm

Meus caros amigos. Os meus generosos cumprimentos.
Respondendo ao Pereira Morgado, direi o seguinte:
Sinceramente, agradeço o que escreveu. É a sua forma de “sentir” o amor. Devo esclarecer-me-lhe uma coisa: quando começei a escrever o texto “Uma paixão de usar e deitar fora” tinha apenas dois pontos de partida, a foto do Paulo Abrantes e a notícia do Diário de Coimbra. o “corpo” do texto foi saindo naturalmente. O que quer dizer que o pensamento foi fluindo sem, contudo, no início ter uma linha condutora.
Apelidar-me de “saudosista”, “católico-romântico”, construtor de “juízos de valores impermeáveis”, “profeta da desgraça”, bom, como deve concordar é também um juízo de valor…seu. Não pense que refiro os seus apôdos porque esteja ofendido, nada disso! Até admito que este texto possa expressar todas essas valências. Posso garantir-lhe que sou tudo isso num momento, para noutro momento ser o contrário. Mas prefiro admitir que sou melancólico. Citando um escritor americano, que neste momento está na berra nos “States”, diz ele que “a melancolia não é uma doença ou uma fraqueza da vontade, mas uma fonte de criatividade, na vida e na arte. A grande tragédia é viver sem tragédia. A melancolia gera uma turbulência no coração que resulta numa contestação permanente do statu quo e numa vontade contínua de criar novas formas de ser e de ver”. Cito-lhe este autor porque expressa bem a forma como me exprimo. E, para lhe provar o que digo, convido-o a visitar o meu blogue “www.questoesnacionais.blogspot.com” e verá in loco que o que escrevo é verdade.
Um abraço, com um grande agradecimento pelas suas palavras. Se este texto é motivo de contestação e réplica, significa que alcançai o pretendido. Os seja: fazer pensar.
Sempre ao dispor.
Luis Fernandes

Comentário por Luis Fernandes Maio 10, 2008 @ 10:12 am

Respondendo ao Luis Rodrigues, começo por cumprimentá-lo e agradecer-lhe a sua contestação ao meu texto.
Vamos então, paulatinamente, por partes:

1º- aquele meu texto, é óbvio, não se destina “a quem vive um amor actualmente e que o vão viver durante muitos anos”. Já o referi anteriormente, pretende fazer reflectir;

2º-Meu caro Luis, ainda que discutível, para mim, não existem críticas construtivas ou destrutivas. Existem críticas…simplesmente. O que quer dizer que todas poderão ser as duas coisas desde que expressas com sinceridade;

3º-Luis, tenho 51 anos, estou casado há 31, penso, sem arrogância, que não me pode dar lições de amor. Não quer dizer que eu não o escute, e também continue a aprender, inclusivamente consigo. Não pense que me arvoro em sabichão, que sei tudo, nada disso. Aprendemos todos os dias, mas, como sabe, a experiência empírica dá-nos algum traquejo. Não é tudo, eu sei. Mas acredite que não tenho uma visão estática da vida. Tudo é dinâmico, e o amor não foge à regra;

4º-Devo lembrar o Luis que foi você que começou por me catalogar. Eu apenas lhe respondi um pouco em geito de ironia.
Quem lhe disse que não sou optimista? O que lhe posso dizer é que, de facto, escrevo com uma indisfarçável nostalgia e melancolia. Isso é verdade, reconheço. Mas, se permite, não “retrate” uma pessoa com base em apenas um texto. Luis, sem paternalismos, o ser humano é muito mais do que isso. É um ser imprevisível.É muito mais do que um ser bipolar. A vida vai mostrar-lhe isso;

5º-Obrigado por me ter lembrado em oferecer uma rosa e um poema à minha mulher. Acredite, digo sinceramente, nunca é demais lembrar. Mas, devo dizer-lhe, Luis, faço isso amiúde vezes. Os poemas, passando a vaidade, até sou eu que os escrevo;

6º-Acredite que não me sinto ofendido. Palavra! Até estou a gostar de ter tão ricos interlocutores. É bom ser assim. Tal como deixei o convite ao Pereira Morgado, digo-lhe também para visitar o meu blogue “www.questoesnacionais.blogspot.com”.
Um grande abraço. Faz muito bem em defender os seus pontos de vista, tal como eu.
Não esqueça é que o meu texto foi, como quase todos os que escrevo, uma constante provocação. Provocação, no sentido de fazer pensar, implicando réplica, como é o caso.
Obrigado, sinceramente.
Luis Fernandes

Comentário por Luis Fernandes Maio 10, 2008 @ 11:23 am



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