Denúncia Coimbrã

Auf Wiedersehen Portugal

com 5 comentários

No último artigo Bolas Fora, de Jorge Marmelo no jornal Público, podia-se ler: “Um futebolista alemão pode não ser capaz de fintar quatro adversários numa cabine telefónica ou de fazer um cruzamento de letra semelhante aos que vimos fazer a Quaresma e Deco; pode ser mesmo inapto para sentar um adversário com um golpe de rins ou para passar o pé quinze vezes por cima da bola, como faz Cristiano Ronaldo. Mas o futebol não é circo e os jogos raramente se ganham com malabarismos inúteis (caso contrário aquele moço que dá toques numa bola na nova campanha televisiva dos medicamentos genéricos tinha lugar em qualquer equipa do mundo). Não é, alias, completamente tolo considerar que tecnicista é, isso sim, aquele que domina o conjunto de gestos específicos destinados a praticar com melhor rendimento possível uma determinada actividade. Nesse sentido, os alemães são praticamente imbatíveis quando entram num rectângulo relvado onde se pontapeia uma bola com o objectivo ultimo de introduzir uma bola com o objectivo último de a introduzir numa baliza”. Feliz visão de jogo, este artigo. Mesmo publicado antes do Portugal – Alemanha.

Pois o circo acabou. Scolari foi o apresentador, Cristiano Ronaldo foi o caniche amestrado e todos os portugueses que achavam que Portugal era campeão foram os espectadores desse circo. Como no futebol não é disso que se trata, Portugal foi posto fora da competição. É só desilusão por este país fora. Antes de Portugal fazer o 1º jogo – “já éramos finalistas”, a ânsia portuga já fazia de nós os potenciais campeões europeus. Portugal tinha o jogador mais lindo e a equipa foi considerada a que jogava “mais lindo”. Mas, para que serviu a estética futebolística? Povo que não está habituado a vitórias, povo que é cauda da Europa, só pode elevar o patamar da ambição desmedida. A esperança morre de garrote com tanto “orgulho nacional”. Chegou a hora de tirar as bandeirinhas da janela e mergulhar de novo no, cada vez mais, difícil quotidiano.

Escrito por Denúncia Coimbrã

Junho 20, 2008 às 12:57 am

5 Respostas

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  1. Não concordo nada com esta visão tão pessimista do nosso quotidiano ou de nós mesmos enquanto povo. Aliás, acho mesmo que é este espírito derrotista e falta de auto-estima gerais (especialmente em momentos menos bons) que condicionam os nossos resultados. Vamos lá a mudar de atitude pessoal! Toca a valorizar os pontos positivos, identificar os pontos negativos para que os possamos melhorar, e construir o presente e futuro evitando os erros do passado! E não estou a falar (apenas) de futebol!

    Freespirit

    Junho 20, 2008 em 10:34 am

  2. A GRANDE ILUSÃO
    Portugal foi eliminado do Europeu. Ora bolas! A partir de agora, sem circo, como é que se vão manter as hostes ocupadas? Descida dos infernos, lá vem a crise outra vez, como monstro mitológico, espavorido e a bufar lume pelas narinas.
    Já estou a ver o engraxador Anacleto, em casa, a pisar o cachecol, dar um valente sopapo na Efigénia, a sua cara-metade, e os filhos, como ratos num navio prestes a afundar-se, a correrem rápidos, antes que a turbulência também se abata sobre os seus corpos escanzelados e endémicos. Em cima da cómoda, que, pelas rugas salientes na madeira meia carcomida, já conheceu melhores dias, num oratório, em castanho -que foi a única coisa que resistiu à fúria de tudo vender do pai bêbado do Anacleto-, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, em barro, de criação popular, parece, pela cara sofrida, querer encolher-se, como a dizer: “a seguir sou eu”. De mãos erguidas ao céu, parece falar com Deus, e em prece sentida, pede-Lhe perdão, e protecção contra aquele brutamontes do Anacleto. De olhos postos no etéreo, em oração, parece falar com o Mestre e, em diálogo, parece dizer: “eu não tive culpa pai. Eu esforcei-me, palavra de honra! Embora tenha de confessar que não gostei nada, mesmo nada que o Scolari me levasse para a cama. Sim! É verdade, o raio do homem, abusivamente, até dormia comigo. Ora isso é violação, entendes Pai? Depois, tantos milhões a fazerem pedidos. Não há santa que aguente. E agora, que perdemos, como a Efigénia, lá vou sofrer a violência doméstica do cabrão do Anacleto. Ora fosca-se para isto! Não há santa que aguente a crendice destes portugueses! Demito-me, Pai! Tira-me daqui depressa!”
    Ouviu-se um grande estardalhaço na rua em frente ao prédio do Anacleto. Por pouco que a Dona Mariquinhas, coitadinha, não era atingida. O estafermo do engraxador, do seu 3ºandar, mandou o oratório para a rua. Espatifou-se tudo. É o povo no seu melhor…quando está no seu pior.

    LUIS FERNANDES
    (www.questoesnacionais.blogspot.com)

    Luis Fernandes

    Junho 20, 2008 em 1:10 pm

  3. Acabou o folclore.
    O que nós temos a mais falta aos outros, e o que os outros por vezes têm falta-nos nos momentos decisivos.
    Este jogo teve asneiras tácticas que só me fizeram lembrar a final do Euro04. Uma equipa previsível vítima fácil das armas tácticas do adversário. Falta-nos um bocado do pragmatismo alemão e da Grécia de há 4 anos…

    RJ

    Junho 20, 2008 em 5:38 pm

  4. “Aliás, acho mesmo que é este espírito derrotista e falta de auto-estima gerais (especialmente em momentos menos bons) que condicionam os nossos resultados. Vamos lá a mudar de atitude pessoal!”

    Freespirit,
    Os momentos menos bons foram condicionados pelos maus resultados. Não o contrário. Prova disso foi o excesso de auto-estima generalizada. Portugal já era finalista antes de fazer o 1º jogo. Talvez esse excesso de auto-estima é que levou aos maus resultados. Pois, esses estados colectivos de euforia desmedida levam a subestimar os adversários e dificulta a passagem dos obstáculos inerentes à alta competição.

    denunciacoimbra2

    Junho 20, 2008 em 5:59 pm

  5. O que eu quis dizer é que nós (Tugas) temos -como qualquer outro povo – características positivas e negativas. Se por um lado, a reacção inicial da população em geral foi demasiado confiante, por outro lado, achei o vosso comentário demasiado amargo. Quando é preciso melhorar alguma coisa (e nós temos muito para melhorar) temos que identificar os aspectos negativos e valorizar os positivos.

    Freespirit

    Junho 22, 2008 em 7:52 am


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