Carlos Encarnação veio a público justificar o diferendo que tem com A Escola da Noite, relativamente ao Teatro da Cerca de S. Bernardo. Segundo o edil, a companhia quer o monopólio do espaço e a CMC quer salvaguardar o teatro para as actividades que a autarquia pretende “apadrinhar”. A Escola da Noite já cedeu a estes e a outros pontos que a CMC exigiu. São públicos e foram testemunhados na imprensa. A esta reacção do presidente, o Bloco de Esquerda responde: “Carlos Encarnação mente. Mente em relação ao processo do Teatro da Cerca de S Bernardo e em relação ao acordo com a Escola da Noite”. Por essas razões vai pedir esclarecimentos junto da Assembleia Municipal e da Delegação Regional da Cultura do Centro / Ministério da Cultura (DRCC-MC). Aliás, há muitos que se espantam com o silêncio da DRCC-MC. Não entendemos, sinceramente. O que sabemos é que os únicos que têm honrado os compromissos com esta companhia de teatro, tem sido precisamente a DRCC-MC. Passamos à frente. O BE também quer saber quais as competências dos funcionários da CMC, destacados para o espaço. Temem que a sua função seja de “policiamento, sustentado pelo erário municipal”. Discordamos completamente. Deverá haver, neste teatro e noutros, a ligação entre os agentes artísticos e a autarquia. Ambos têm a ganhar, quando se constroem relações saudáveis de “vizinhança”. Quem pensa em policiamento dá a entender que algo de ilícito se possa passar. Ao que julgamos, um teatro é uma casa de criação e representação artística. Nada mais. Acresce a esta opinião o facto de que um dos funcionários destacados tem larga experiência em produção. Ajudou a organizar muitas Queimas das Fitas, teve ligado a variadíssimos eventos da AAC (onde coabitou com António Augusto Barros – então organizador da BUC) e desempenhou papeis importantes em muitas produções da CMC (no tempo de Manuel Machado). Por isso, tem o Know-how suficiente para ajudar a erguer qualquer espectáculo desta, ou de outra, companhia. Parece-nos feliz a opção da CMC. O que nos deixa infelizes é pensar que se este diferendo estivesse a ocorrer noutra cidade, já tínhamos visto outros agentes artísticos a tomarem alguma posição para acabar com esta teimosia da CMC. A tentar interceder e ajudar a pedir esclarecimentos, pois um dia podem ser eles em questão. Carlos Encarnação já há muito que percebeu essa desunião. Escolhe tácticas arrojadas do esgrimista de florete. O florete obedece à regra da prioridade. Segundo este sistema, o atirador que pontua num assalto não é necessariamente o primeiro a atingir o adversário, mas sim o que detém a primazia. A prioridade é estabelecida segundo o princípio de parada-resposta: um atirador deve primeiro defender uma estocada (parada) antes de responder com o seu próprio toque e pontuar. Se a resposta falha com uma contra-parada, o primeiro atacante ganha a prioridade, e assim sucessivamente até um ponto válido ser obtido.
Enquanto esse ponto válido não é obtido…
Nota: as fotografias são sobre uma peça de teatro do GEFAC. Já esteve no Teatro da Cerca e volta a estar, em finais de Novembro.