Jazz ao cubo
O repuxo da praça 8 de Maio levou esta semana com o jazzaocentro aterrando em forma de cubo chateado.

1- Na mesma noite um ladrão de focos de luz (o projector que iluminava de dentro), a navalha em performance nocturna ainda não apanhada na futura vídeo vigilância municipal, actua, e transforma uma ideia batida, o cubo intersectado, noutra expressão artística, mais torturada, é certo, mas radicalmente aberta para uma visão objectiva do miolo da coisa.
2- O papel dos ladrões na construção performântica da recuperação da arte pub, mesmo em frente ao Panteão Nacional 2, o poder afirmado perante essa panteleónica imagem do poder, se tivesse sido filmado pelas cams que vêm aí merecia ser youtubada, lá isso merecia.
3- O povo quando passa comenta para as crianças que agora os maus dormem lá e tudo. Ouvi.
Temo que este evento não fique para a História da Arte como o que também foi, uma performance sobre a abertura da caixa e tudo o que isso acarreta, mas quanto muito como o que foi, um gamanço daqueles de ir para o centro do museu.
Quanto ao jazz, que seja muito.
J. A. Aguiar



UM ABRIGO AO CUBO
O Largo do Poço e a Praça 8 de Maio, mesmo em frente a um monumento classificado como Panteão Nacional, onde repousam os restos mortais do fundador da Nação, recebeu um cubo revestido de publicidade ao Jazzaocentro e à Caixa Geral de Depósitos. Se o gosto é sempre uma opção discutível e do foro íntimo de cada um, de uma subjectividade natural ao individuo, penso que olhando para estes abortos poucas pessoas concordarão com tal iniciativa. É estranho como para fazer seja o que for na Baixa é sempre uma complicação, sendo preciso autorização do IPPAR, agora IGESPAR, e, neste caso, aparentemente todos estes trâmites obrigatórios foram ultrapassados. Até entendo o apoio do vereador da Cultura, Mário Nunes, ao Jazzaocentro, e sobretudo ao seu grande impulsionador Rocha Santos. Neste apontamento critico a forma publicitada, não o conteúdo nem o apoio. Rocha Santos tem sido um lutador que, de galho em galho, tem conseguido levar a água ao seu moinho, como quem diz “impor” o jazz numa cidade de pouca tradição “jazzística” como é Coimbra. Para ele os meus sinceros parabéns.
Deixando o tom sério, e voltando aos cubos, que são uns abortos, além de inestéticos, têm servido para pernoita de sem-abrigos. E, ao que parece, segundo o blogue “Presença Coimbrã”, a sua cobertura serviu para surripiar o foco central do lago instalado na Praça 8 de Maio. Isto só vem provar que para além da urbe ser apodada de “cidade do conhecimento” deve começar a ser também tratada como “cidade do desenrasca”. Qualquer cobertura de um qualquer cubo, triângulo ou rectângulo serve para abrigo e, além disso, como é uma cidade de trabalhadores, durante a noite, enquanto descansam, vão surripiando qualquer coisita, que a vida está difícil e mal se pode dormir. Até porque o policiamento, á noite, também permite que se trabalhe no gamanço à vontade.
Ora, assim sendo, até se compreende a “dislexia” publicitária de Mário Nunes, foi por uma boa causa.
LUIS FERNANDES
(www.questoesnacionais.blogspot.com)