Já o tínhamos referido, António Arnaut é o testemunho vivo de Miguel Torga. A forte amizade que manteve com o Poeta revelou-se essencial na rebeldia de Arnaut. Dos poucos Homens desta cidade que (ainda) tem a coragem de dizer o que pensa é, certamente, o autor do livro “Rio de Sombras”. Numa recente entrevista, dada ao jornal O Despertar, lamenta que o actual governo não tenha vocação social e humanista. “Se o Estado desse o exemplo de alguma moderação e contenção de gastos, sobretudo dos gastos supérfluos, isso seria um exemplo que os cidadãos teriam em conta porque chegavam à conclusão de que, nestes tempos difíceis, o sacrifício era repartido por todos.” É assim que António Arnaut se exprime, é assim que cada vez mais o admiramos. Vale a pena lê-lo n´O Despertar.