Antes de escrever uma palavra mais que seja, a honestidade leva-me a revelar que falo aqui enquanto antigo aluno da UC e antigo Director de Informação desta secção (cargo que mantive durante cerca de dois anos, logo aquando da sua formação como pró-secção), com um profundo conhecimento do funcionamento interno da tvAAC e dos métodos autocráticos da sua direcção.
Tenho noção que toda e qualquer coisa que eu possa escrever neste comentário será a partir deste momento suspeito. Todavia, e provavelmente para grande pena dos meus detractores da direcção da tvAAC, não vou embrenhar-me aqui no medíocre exercício da sátira fácil e da crítica lançada à toa.
O que me preocupa mais é perceber que esta secção, com tão grande necessidade de colaboradores, acabe sempre por desencorajar os membros mais criativos e empenhados em prol dos sócios que forem mais fáceis de arregimentar e manipular.
Ao longo dos meses em que trabalhei na tvAAC, vi o quanto o esforço e a dedicação ao projecto de uma televisão para a AAC era inútil face ao egocentrismo e mesquinhez de alguns dos seus sócios mais antigos, mais preocupados em perpetuar a sua presença nos quadros da direcção do que em deixar colaboradores exprimir as suas ideias.
E no entanto, porque não? Porque não seria possível fazermos uma televisão académica com qualidade e que funcionasse como escola para todos os que estão interessados no pequeno ecrã? Que outra secção que não uma televisão poderia ter a capacidade de reunir um leque tão variado de ramos profissionais?
Jornalistas, operadores de imagem, engenheiros de todo o tipo, actores, guionistas, realizadores, editores, produtores, administradores, publicistas, economistas, consultores em todas as áreas de saber, e tudo o que a imaginação dos estudantes pudesse magicar para a tvAAC transformar em imagens. Tudo isto é possível.
Foi baseado neste preceito que me embrenhei na aventura da tvAAC, frequentemente em detrimento das minhas aulas e de qualquer outra actividade extracurricular. Todavia, com as barreiras encontradas no seio da própria secção, o entusiasmo inicial foi-se transformado em cansaço e, posteriormente, em frustração.
Evolução que presenciei em muitos outros sócios que foram passando pela tvAAC e que abalaram para nunca mais voltar. Pois, para quê permanecer se o rumo da secção não pertence aos sócios, mas a uma punhado de irredutíveis que resistem, ano após ano, remessa de frescos estudantes após remessa, orgulhosos demais para ceder terreno em prol de uma secção que tem todos os trunfos em mãos para levantar voo?
Enquanto não conseguir fidelizar os seus sócios, enquanto não estiver, de facto, interessada em transmitir o saber e em aproveitar a criatividade dos seus sócios, e enquanto não abdicar, enfim, do seu funcionamento medieval, a tvAAC irá permanecer no marasmo em que está.
Esta situação é não somente injusta para a DG, que apostou nesta secção ao longo dos anos, como extremamente ingrata para os estudantes que se investem num projecto imobilizado no ancoradouro da mediocridade.
O problema da tvAAC não é a falta de sócios trabalhadores e imaginativos; o problema não é a falta de apoios; o problema é possuir uma direcção cujos membros são escolhidos por direito de sucessão. O problema já é congénito…
(Sim, eu sei: disse que não ia cair na sátira fácil. Mas… sou apenas humano…)
Raphaël S. Jerónimo