CAV exige maior visibilidade
Em entrevista ao Diário das Beiras de 10 Julho o director do CAV exige maior visibilidade.
São discutíveis as suas exigências. Como discutível será a minha opinião pessoal, feita em consciência e liberdade de exprimir uma critica/opinião/sugestão.
Albano da Silva Pereira exige que Coimbra deve “olhar” para o CAV. Quanto a nós, o CAV é que se fechou a Coimbra. Enclausurou-se, no Pátio da Inquisição, com a elite da fotografia nacional. Passados 6 anos o CAV reclama públicos. Mas o que fez o CAV para os conquistar? Exposições? Mesmo que sejam “as melhores” do mundo, não chegam. O CAV não organiza conferências em torno da arte contemporânea, não faz formação e não produz debate sobre a arte visual. Não questionamos a qualidade das suas exposições, julgamos é que será muito pouco para angariar visitas ao CAV. É manifestamente pouco para haver obrigatóriamente uma “sinalética” para o Pátio da Inquisição.
O isolamento do CAV/Encontros de Fotografia começa logo por cima, pela CMC e pelo seu presidente. O edil não aparece, nem se faz representar, em cerimónias oficiais organizadas no CAV (mesmo metendo ministro). Se entendemos o lamento de Albano da Silva Pereira também percebemos a autenticidade de Carlos Encarnação.
Todo, ou quase todo, o dinheiro dado pela autarquia à fotografia em Coimbra vai para o CAV. Pouco ou muito, suficiente ou não, o facto é que vai todo para o CAV (60 mil euros anuais). Os outros “agentes fotográficos” levam zeros da CMC.
Carlos Encarnação já demonstrou que não gosta de perder confiança política, ou outra. Cumpre, despreza e segue em frente. A autarquia aloja o CAV, apoia com 60 mil euros, no entanto distancia-se e não quer saber do CAV. Quanto a nós, este paradoxo, é uma inquietação humilhante.
O CAV já deu primazia à cidade de Coimbra em diversas formas expositivas, nomeadamente na exposição inaugural do CAV e na actual. No entanto, poder-se-á perguntar: o que o CAV fez, ou quis saber, da arte visual produzida em Coimbra?
Para Albano da Silva Pereira “A arte é livre, mesmo em termos de instituições, que têm a sua estratégias curatoriais e estéticas. E, naturalmente, esta instituição tem uma história de prestigio no país que não lhe permite passar de uma momento para o outro à demagogia, ao populismo, construir exposições de máquinas a tiracolo, fazer concursos de fotografia, porque isso seria a destruição de toda a sua história, de todo o seu legado e de todo o seu futuro”.
Estas palavras, bem como a postura de quem as diz, pecam por subestimar o trabalho feito em Coimbra. Por tal razão, não vejo qual o sentido de exigir que Coimbra “olhe” para o CAV.




Os casos de Serralves ou do Centro Português de Fotografia, no serviço educativo e de formação que oferecem, são dois bons exemplos do que uma instituição pode fazer pela criação de públicos.
A ausência dessa estratégia, em vez de demonstrar prestígio, demonstra precisamente pequenez…
Veremos se não é este caminho do CAV que vai determinar precisamente “a destruição de toda a sua história, de todo o seu legado e de todo o seu futuro”
O CAV foi dado eternamente aos Encontros de Fotografia/Albano Pereira?
Será um espaço vitalício?
É reconhecido o bom trabalho do director do CAV no desenvolvimento e visibilidade da fotografia.
Mas será que os fotógrafos de Coimbra não poderão mostrar o seu trabalho num espaço que é da cidade?
São tão maús assim? Não cabem nos seus conceitos de fotografia contemporânea?
então o caminho é colocar as artes visuais no monte olimpo, longe dos mortais? não faz parte da “missão”do artista educar, abrir os horizontes do público e dar acesso às artes, a todos, talentos locais e regionais inclusive? qual o objectivo servido se as artes visuais forem feitas só por e para os já “entendidos” com nome? num mundo onde a fotografia é cada vez mais democratizada em termos de acesso e de realização, e onde temos todos a possibilidade de criar, existe uma necessidade natural de um espaço de crescimento para novos talentos. transmitir a ideia de que as intervenções artísticas próximas da comunidade levam a desprestigiar a arte, só pode ser contraproducente. o futuro, e o sucesso, de qualquer instituição está, intimamente, ligado à capacidade da mesma em estimular e capturar o interesse do público, e dos próprios criadores.
Este tipo de situação é histórico, no nosso país!
Este tipo de instituições gasta rios de dinheiro a anunciar as suas actividades, na televisão – onde a pub é cara e os anúncios passam meia dúzia de vezes, quando os eventos estão quase a acabar – e não querem saber de meios especializados, como as revistas de fotografia, por exemplo.
Nos 6 anos que passei à frente – falando em termos práticos e não formais – da Super Foto Prática (Digital), nunca recebi qualquer comunicado de imprensa ou pedido de divulgação.
Não admira, pois, que os maiores interessados em visitar as exposições – os fotógrafos e artistas fotográficos que lêem revistas e passam pouco tempo em frente do televisor – não apareçam.
Naturalmente, não está em causa a qualidade artística daquelas, mas não podemos ser “artistas” na sua divulgação. Temos, sobretudo, que ser práticos!