A reportagem feita pelo Ípsilon à cultura coimbrã está agitar a massa critica da classe artística da cidade. (web20100721Publico-1) Dividem-se na analise sobre a prosa mediana e superficial feita pelos repórteres do Público, falaram com “dois ou três” (que por sua vez esqueceram do resto, ou quiseram esquecer) e estam a passar a mensagem que se pretendiam: “Coimbra não sabe para onde vai – por isso não vai a lado nenhum”.
Ora, Coimbra está aqui bem e não precisa de ir a lado algum para afirmar o que constantemente existe enquanto ofertas culturais. É inequívoco e inquestionável que em Coimbra se produz iniciativas tão boas, ou mais interessantes, do que no resto do pais. Lisboa e Porto incluído. Só aqueles que não querem ver é que são os potenciais cegos, portadores de uma invisibilidade que até mete nojo. São aqueles que calçam a pantufa para ir usufruir só, e apenas só, o que o seu “grupo” produz. O resto não presta. E é que aqui que, quanto a mim, reside o vírus de um doença que atacou os artistazinhos da cidade: ausência e participação naquilo que os outros, os que não são do “grupo”, disponibilizam.
O grande drama é perceber que a atitude do “artista” do Mondego não o leva a lado nenhum. Em Coimbra, “o meu grupo de amigos artistas é mais artista que o teu”. Em Coimbra, “a minha galeria é melhor que a tua”. Em Coimbra, “o meu teatro (e do meu grupo) é melhor que o teu”. Em Coimbra, “a minha fotografia é mais contemporânea que a tua”. Em Coimbra, “já toquei em mais bandas do que tu”. Em Coimbra, “a minha arte (e a dos meus amigos) é superior à tua. E por isso, não vou ver a tua”. TOPAS?
Enquanto assim for Coimbra vai mergulhando numa invisibilidade injusta produzida, e realizada, por “artistas” intelectualmente desonestos. Se gostam mesmo da Arte porque não usufruem quando lhes é dada? Porque penalizam, com a ausência, tudo aquilo que não pertence aos seus “feudos”? Porque não curtem? Porque julgam tanto? Porquê tanta falta de auto-estima e de altruísmo? Curtem, ou não?
A classe politica goza a torto e a direito desta desunião dos agentes culturais da cidade, pouco são os casos que respeitam a comunidade artística. A própria vereação da cultura da CMC é feita a meio tempo. (Porquê mais?). O poder distribui umas massas porque tem mesmo de o fazer, porque não o pode gastar noutra coisa. No entanto, não cuida ou controla o impacto desse investimento. Não estuda o retorno do dinheiro utilizado. Não se apresentam, nem se exigem, relatórios sérios sobre os impactos sociais e culturais obtidos – enquanto actividades culturais financiadas pelo Estado.
Coimbra não precisa de ir a lado algum. O que precisa desandar de vez é a atitude do artistazinho endeusado com as lágrimas do Mondego.
O que perturba no órgão de informação Público é o facto de no mesmo dia ter sido muito contraditório; no suplemento Ípsilon – carregou negatividade, no P2 elogiou através do Festival das Artes – ” Coimbra submersa em água e arte durante 17 dias. É o mais ecléctico festival de Verão ao ar livre em Portugal“.
Será que é preciso começar pelo principio; “a minha arte é melhor que a tua” ou, eventualmente, “a minha arte é melhor que a tua porque insere anúncios no Público”. É que se assim for, pergunto: o que é que o Público tem a ver com Coimbra? Até a sua delegação desapareu, e uma das melhores jornalistas portuguesas, Graça Barbosa Ribeiro, preferiu trabalhar de Aveiro para cima.