Pena pesada.

Tirando os crimes por homicídio e pedofilia tenho sempre muito respeito por quem vai dentro. Ficar privado de liberdade é do pior, não só para o condenado como para a família e amigos.
Há um desdém, uma mesquinhez, um desejo maquiavélico, nos portugueses que vibram com este tipo de desgraças.
Se acho correcto um presidente de um clube de futebol usar-se do seu estatuto autárquico para beneficiar construtores? É claro que não. O que José Eduardo Simões fez não foi mais do que dezenas de presidentes de clubes, de norte a sul, fizeram. Ele preside um clube de futebol, e o futebol é o maior nicho de corrupção – sempre avalizado por todos os que vão as estádios gritar pelos golos.
Ele entrou em jogadas menos claras mas possíveis na promiscuidade existente entre a política e o futebol. Tudo para arranjar dinheiro para o clube. Sim, ou são as empresas da região que ajudam? Ou são os sócios e adeptos que entram com donativos para verem a sua equipa (que são desde pequeninos) ganhar?
Não são, pois não?
O presidente da AAC/OAF entrou nas lavagens possíveis de dinheiro para o clube, não em proveito próprio. Não consta que o homem se tenha enchido para bem pessoal, sim para a tal BRIOSA – que até reconquistou a Taça.
Julgo uma condenação pesada. Mas mais pesada, e injusta, é a condenação social de muitos coimbrinhas. (Ingratos, digo eu). No mínimo, deviam estar estar caladinhos pois um dia poderá o azar bater-lhes também à porta. Da cadeia e do hospital ninguém está livre. Gente santa? Já nem no Vaticano.


