Sé-Velha by night

Sé-Velha, um dos mais emblemáticos sitios da cidade – que se quer Património Mundial.
Depois das ordens judiciais de fecharem o bar e a esplanada do jardim AAC às 00:00H, milhares de noctívagos rumam diariamente à Sé-Velha. Acumulam-se desde o Largo até ao Machado de Castro. Os proprietários dos bares aí existentes queixam-se dos estragos nos estabelecimentos, nomeadamente nos wc´s, e da falta de consumo dos clientes. Muitos, a grande maioria, levam garrafas com o álcool para a noite (“botelhon”, proibido em Espanha) e estacionam nas escadas da Sé-Vela espalhando-se nas artérias envolventes.

Pessoalmente, nada tenho contra os bares. Animam a zona e os seus proprietários também precisam de sobreviver. No entanto, devia haver isolamento de som (dos referidos espaços nocturnos) e mais presença policial na zona. São milhares de pessoas concentradas, especialmente entre as 2:00 e as 5:00 H. A PSP diz que não tem efectivos e só vem se houver alguma queixa bem efectivada. Quando vêm confrontam-se com a dificuldade de circular pela imensidão de gente. Os táxis recusam-se a fazer serviço para esta zona às terças, quintas, sextas e sábados nos horários mais “nobres” da movida nocturna.

Há um grande desconforto por parte dos moradores e ao mesmo tempo um silêncio enervante. Queixam-se mas não actuam. Os idosos tomam sedativos para dormir, muitos moradores alugam quartos a estudantes e suportam a contenda. A sobrevivência é directamente proporcional ao desconforto, nesta zona actualmente.

Se a cidade tem pretensões de se elevar ao status de Património Mundial não basta gastar rios de guito na sua candidatura, precisa também de actuar. É necessário impor normas de vivência num centro histórico de tal importância, entre comerciantes/empresários e os moradores. Há espaço para tudo e para todos. Esse espaço só é merecido se houver respeito mútuo. O lucro de uns não pode ser o incómodo de outros, se não um dia a bolha rebenta.

P.S. Sobre o assunto, um comentário da Associação Vox Cívica a levar em atenção.

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This entry was posted by Paulo Abrantes.

2 thoughts on “Sé-Velha by night

  1. Obrigado, Paulo Abrantes, por este documento, que pode ajudar a debater os problemas de uma cidade.

    Não sei a que horas foi tirada esta fotografia, mas posso aceitar que foi tirada depois da meia-noite. Se assim foi, isto documenta um verdadeiro retrocesso civilizacional.
    Não embarcando em acusações simplistas, tenho a dizer que os donos dos bares e os estudantes não são os verdadeiros culpados disto.
    Os culpados disto são aqueles que na Câmara Municipal de Coimbra decidiram classificar todo o espaço municipal como “Zona Mista”, com o argumento de que a cidade é multifuncional. Isto é um tremendo disparate, cujas consequências estão à vista. Pergunto: haverá alguma cidade que não seja um espaço multifuncional? Não conheço nenhuma!
    Mas, para aquilatar da enormidade do disparate vou dar o seguinte exemplo: as nossas casas. Uma habitação é multifuncional, na medida em que está compartimentada para várias funções: alimentação, dormir, conviver, etc.
    Ora, o RJUE não permite que se coloque uma sanita na cozinha.
    Este exemplo retrata fielmente o que se passa em Coimbra. É urgente que sejam delimitadas as “Zonas Sensíveis”, destinadas sobretudo à habitação, mas onde pode existir todo o tipo de comércio até às 23 horas.
    E quem quer divertir-se toda a noite? Concerteza! Criando para isso espaços de diversão, afastados das “Zonas Sensíveis”. Os bares até podiam estar abertos 24 horas por dia.
    Desta forma, o funcionamento dos bares não perturbava os moradores e estes não se queixavam dos bares.
    Por outro lado, desde 2006, a pretexto de que se pretendia uma cidade mais viva (ver relatório feito pela Deloite), abriu-se a Caixa de Pandora, porque Coimbra é uma cidade Universitária e propensa para os excessos, a que alguns, eufemisticamente, chamam tradição boémia estudantil.
    Se nada for feito no sentido de racionalizar a utilização do espaço urbano, muito brevemente, a Alta e algumas artérias de Coimbra estarão desertas de moradores. Como a sua imagem documenta eloquentemente, é impossível morar na zona da Sé Velha e ter qualidade de vida. Porquê? Porque em Coimbra, a sanita está na cozinha. Sem ofensa para ninguém (moradores ou donos dos bares), mas sem branquear a culpa de quem permitiu isto.

    João Pinto

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