Património da Humanidade: pós vaidade inicial.

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A Alta, nomeadamente a Sé-Velha, é um ponto nevrálgico da zona recentemente classificada como Património da Humanidade. Houve quem já catalogasse esta zona como a SANITA do centro histórico.

Desde a tão esperada classificação da UNESCO a SANITA tornou-se mais suja, mais mal cheirosa e com novos parasitas.

Depois de os bares da zona terem feito um esforço considerável para os seus clientes não perturbarem esta zona histórica, eis que a abertura (há algum tempo) de uma garrafeira (mesmo colada aos bares) veio estragar tudo. Não tenho nada contra garrafeiras, todos têm direito ao seu negócio e às características naturais de sobrevivência.

Se os bares não podem servir bebidas com vidro, nem garrafas, para o exterior porque é que a garrafeira pode? O que acontece é que, até às duas da manhã, qualquer pessoa pode abastecer-se de litrosas de cerveja, e outras bebidas, e ficar toda a noite (até de madrugada) sentados nas escada da Catedral da Sé-Velha. Pior, acabam de beber e partem as garrafas num comportamento misto de atrasados mentais com hiper-atrasados mentais. Os moradores dispensam esses rituais ruidosos, acrescentar aos grunhos de vozes ébrias. Quem deu licença para a garrafeira trabalhar deverá providenciar vidrões para a zona. (Não pode? É Património da Humanidade? Então e os vidros partidos?).

A minha pergunta é muito simples: se um grupo de pessoas (pequeno que seja) se concentrar em qualquer zona da cidade e fizer barulho, depois da meia-noite, chamam a policia e esta tem de dispersar quem incomoda. Certo? Então porque isso não acontece na Sé-Velha, numa zona agora protegida e envaidada como Património da Humanidade?

A PSP mais depressa vem à Sé-Velha de dia, acudir a um desacato de caninos, do que á noite para manter a segurança da zona. Ultimamente têm feito uma espécie de visitas, haviam de fazer mais e a horas mais eficazes, digo entre as 3:30 e as 4:30 da manhã. E não da 1:00 às 2:00 horas, como tem acontecido (a essa hora não se passa nada). Mesmo os bares já terem proposto a sugestão de pagarem a permanência da PSP no local, o certo é que – ou não foi aceite ou não está a ser cumprida (a sugestão/proposta). Ou seja, será deveras injusto os bares virem a sofrer cortes de horário de funcionamento pela inércia das devidas entidades actuarem.

A quantidade de vidros partidos e a algazarra provocada pelo fim de noite estão a tornar esta zona cada vez menos habitável (para não falar de urinas e vómitos à porta das casas habitáveis), com situações pouco próprias de uma classificação tão distinta que mereceu. Todas as entidades (ASAE, PSP, CMC, Centro Histórico e ADDAC) nada fazem por melhorar a qualidade de vida de quem vive e trabalha na Sé-Velha.

Há tempos o Provedor do Ambiente da CMC escreveu um artigo do Diário de Coimbra justificando que pouco ou nada se pode fazer, “porque não há queixas formais dos moradores”. Ora senhor Provedor, não será difícil entender o porquê de não fazerem queixas: porque sofrem represálias!!! Há décadas que é assim. Se o senhor Provedor, e outros, até sabem disso, pergunto: não estão a ser coniventes com o que se passa? É preciso queixa formal identificável para actuar? Parece-me que não, oh senhor Provedor. O que poderá bem vir acontecer é os moradores e comerciantes da zona fazerem uma queixa formal contra a Provedoria do Ambiente, por esta abdicar das suas funções e propósitos. (O Provedor do Ambiente e Qualidade de Vida Urbana de Coimbra tem como função defender os direitos dos munícipes de Coimbra, pugnando por um ambiente biofísico e humano, sadio e equilibrado.)

Os parasitas
Existem duas Sé-Velhas: uma das 7:30 às 3:00 H, e outra das 3:30 às 6:00 H. São bem distintas. A acrescentar a tudo o que todos sabem, e que já aqui referi (sem medos de represálias), agora existem novos parasitas na zona. Um saxofonista vem dar a alvorada logo às 10 da manhã. Sentado na escada da Catedral procura umas moedas para o almoço, até aí tudo bem. Todos precisam de se safar. Agora, sugiro que as entidades competentes digam ao saxofonista para ter umas aulas no Conservatório de Música. Falem com o Manuel Rocha e digam que vão da minha parte.
Caso contrário, sugiram ao dito saxofonista para vir actuar à noite. Terá concerteza muito mais gente e mais companhia, assim junta-se à quantidade de guitarras e outros instrumentos existentes e ainda poderá aprender alguma coisa.

Outros parasitas que escolheram a zona classificada para cravar uns trocos são os falsos estudantes. Andam aos pares, vestem capa e batina e tentam impingir aos turistas uns postais manhosos de uma empresa espanhola. Aparecem e desaparecem.

Vem aí as eleições autárquicas, era bom que os candidatos à edilidade procurassem reflexões e soluções para esta SANITA colocada no Património da Humanidade.

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This entry was posted by Paulo Abrantes.

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